Sábado, 4 de Abril de 2009

COMENTARIOS SOBRE A SEGUNDA FASE DO CACD 2009

A prova de português do CACD 2009 não surpreendeu. No edital do concurso, já estava esclarecido que o tema da redação seria de ordem geral e que somente os exercícios de comentário, interpretação ou análise de textos teriam por base a bibliografia obrigatória. A pergunta, então, é: "o texto motivador a redação não era um excerto de Esaú e Jacó?". A resposta todos já sabem, mas também parece que evidente que a o tema da redação não era o romance de Machado de Assis. Espero que nenhum candidato tenha discutido a obra de Machado somente. Não esqueçamos, também, que se trava de uma pergunta. Parece óbvio dizer isso, mas é importante que ela tenah sido respondida.

A capacidade inter-relação e a capacidade de fazer análise conceitual serão beneficiadas. Na minha opinião, as redações que discutiram com base mais filosófica, política e analítica serão beneficiadas, em detrimento das redações que, de alguma forma, tentaram "encaixar" análise de exemplos de "idéias como patrimônio comum". As redações que trataram de propriedade intelectual estariam, na minha opinião, corretas. Propriedade intelectual é exatamente a confronto entra a "propriedade privada de idéias" e o "domínio público", que representaria o "patrimônio comum". Além disso, o excerto que motivava a redação tratava da questão da autoria, que, por sua vez, é um dos principais temas de propriedade intelectual: o direito autoral. Se as redações que seguiram essa abordagem tiverem discutido em termos mais conceituais e suas implicações políticas, sem discutirem demais as questões de política externa contemporânea, não deverão sofrer prejuízos irreversíveis. Infelizmente, o que eu penso e o que banca pensa não são necessariamente a mesma coisa e acredito que prevalecerá a primeira a abordagem-filosófica e política.

Os exercícios estavam relativamente fáceis. O comando do exercício de comentário, de Raízes do Brasil, especificava o método de elaboração da resposta: "ilustar com exemplo histórico". O comentário exigia, portanto, a discussão do tema, não apenas a velha, equivocada e tão repetida paráfrase dos excertos, que já reprovou e/ou reduziu a nota de centenas de candidatos nos últimos anos. O segundo exercício exigia do candidato conhecimento sobre a obra e exigia o "risco" de opinar e interpretar(risco que os candidatos geralmente têm pavor de assumir). As interpretações foram as mais diversificadas, por isso creio que não haverá grandes surpresas.

A mais importante característica da segunda fase de 2009 foi a impossibilidade de padronização das respostas. Todos os candidatos deviam falar sobre o mesmo tema, cada um a seu modo, de acordo com sua capacidade e sua "maturidade intelectual". Aqueles que estivessem adestrados a falar de um tema ou adestrados a formato único tiveram grande dificuldades na elaboração do texto. Ao contrário do que apregoam os vendedores de milagres, A PADRONIZAÇÃO DAS RESPOSTAS NA PROVA DE REDAÇÃO É FATOR DE REPROVAÇÃO! O ano de 2008 foi muito importante para que fosse percebido o "efeito adestramento" na prova de redação, pois mais de uma centena de candidatos falou de de Sergio Buarque, de Darcy Ribeiro e de Gilberto Freyre, mas não de Drummond. O "comando aberto" do ano passado possibilitou o "encaixe", mas a prova de 2009 acabou com essa possibilidade. FELIZMENTE!

Para os candidatos mais preocupados com o tratamento do tema, enfatizo que, tão ou mais importante, é o aspecto formal da resposta. Os critérios aplicados são bastante rígidos, especialmente no que se refere a estilo e a vocabulário. Muitos candidatos acreditam que fizeram excelentes redações, mas podem ser eliminados pelo desconhecimento de algumas regras básicas da prova em relação à colocação pronominal, ao vocabulário em sentido conotativo e à pontuação( usei esses exemplos porque são as maiores dificuldades dos candidatos que preparei ao longo do último ano). Os 50 pontos de estrutura formal (30 na redação, 10 em cada exercício) serão o fator decisivo da aprovação de muitos candidatos. O valor da penalização aplicado pela banca( ou 0,5 ou 1 ponto) só será conhecido dia 7 de maio, quando os espelhos forem liberados. Muitos candidatos dependem dessa escolha para serem aprovados... Só nos resta esperar.

Boa sorte a todos e continuem estudando. Desejo um pouco mais de sorte aos meus alunos( he he), mas acredito que o esforço na preparação terá resultados.

Segunda-feira, 23 de Março de 2009

NOTA DE CORTE

Considerando o ranking estabilizado em 400 notas, as possíveis alterações de gabarito e o famoso multiplicador(que e pouco científico, mas muito eficiente) aposto numa nota de corte entre 54,8 e 55,9 pontos, com tendência a 55,9.
Aposta feita. Saberemos o resultado nas próximas horas.

Segunda-feira, 9 de Março de 2009

COMENTÁRIOS SOBRE A PROVA OBJETIVA DA PRIMEIRA FASE-2009

Surpresa: eis o sentimento geral dos candidatos, e também o meu, em relação à formulação da prova objetiva de 2009. Minhas expectativas estavam parcialmente certas: português e inglês tiveram peso maior, com 28 questões, entretanto, direito e economia somaram juntas 26 questões. Restaram 26 questões para as outras quatro disciplinas que, não faz muito tempo, compunham o "núcleo duro" das habilidades exigidas no processo de seleção para a carreira diplomática.

A interpretação mais simplista seria a de que, de acordo com a prova, os diplomatas brasileiros devem saber bem português, inglês, direito e economia(estas duas de forma muito detalhada) e que as outras matérias seriam apenas acessórias. Evidentemente, isso não é verdade. A formulação da prova, muito embora possamos fazer muitas restrições, não extrapolou o programa do concurso. Tudo que está no programa pode ser cobrado em qualquer nível, e foi isso o que aconteceu. O objetivo parece ser o de testar o quanto os candidatos se prepararam em relação ao conjunto das disciplinas, não penas em relação àquelas que nos últimos anos vinham sendo as mais importantes e, por essa razão, as mais estudadas.

Mais uma vez fica evidente o fato de que a prova nunca segue um padrão idêntico ao ano anterior e que sempre mudanças significativas em sua formulação. Não é e nem nunca foi à toa que me desgastei e me desgasto tanto aqui no blog, quanto com meus alunos repetindo a afirmação de que é preciso estudar tudo, de que não se pode ignorar nenhum ponto do programa, que não se deve pautar a preparação baseada exclusivamente na prova anterior.

Façamos uma breve análise dos últimos cinco concursos: em 2005, a primeira fase teve questões objetivas e discursivas e não teve inglês; em 2006; a prova teve, pela primeira vez, 65 questões, teve inglês e geografia, mas não teve PI; em 2007, a prova manteve 65 questões, teve PI e não teve geografia; em 2008, voltaram todas as disciplinas para a primeira fase; e, em 2009, a prova passou a ter oitenta questões e foi dada ênfase em direito e economia. Quem duvidava ou duvida da necessidade de se preparar para o conjunto das disciplinas deve se lembrar daquela antiga propaganda de carro que dizia "está na hora de mudar os seus conceitos". Faço uma previsão que me tranformará em "profeta do acontecido": em 2010 a prova será bem diferente! ;-)

O perfil que o concurso exige não muda todos os anos, pelo contrário: tem de estar preparado em todas as matérias.

Em termos gerais, a prova me pareceu mais bem-redigida do que a prova de 2008. Não há a mesma quantidade de questões polêmicas que houve ano passado. A prova de português foi bastante inteligente; a prova inglês estava difícil, mas muito boa(gostem ou não, todos terão de saber inglês pra conseguir trabalhar, ou estudam muito agora ou terão de correr atrás depois); as provas de direito economia estavam, na minha opinião, desproporcionalmente detalhadas; política internacional foi prejudicada, precisava de mais questões para abordar temas essenciais da PEB; a prova de geografia estava bem redigida e relativamente fácil e as provas história estavam relativamente difíceis(em alguma questões o erro era apenas a inversão da ordem das palavras ou uma data).

Ainda não arriscarei um palpite para nota de corte, prefiro esperar o gabarito oficial. Em princípio, acredito que a média deve baixar. Voltamos a discutir o tema nos próximos dias.

Terça-feira, 20 de Janeiro de 2009

COMENTÁRIOS SOBRE O EDITAL DO CACD 2009

Como já era esperado, a mudança veio. Por coincidência, chegou junto com Barack Obama! ;-)
Entre todos os boatos "quentes" ou "fervendo" que "pipocaram" na comunidade concurseira para o CACD nos últimos meses, houve apenas a confirmação parcial da obrigatoriedade de espanhol para todos os candidatos, ainda que apenas na quarta fase.
Como diria nosso amigo Jack, vamos por partes:

1) Pontuação mínima da terceira fase: a pontuação mínima de 360 pontos nas seis provas desta etapa restabelece da normalidade do concurso. Em primeiro lugar, acaba com os comentários injustos de jocosos do tipo "entra qualquer um"(já dizia o Art Popular há dez anos: "quero ver você passar"). Em segundo lugar, diminui a possibilidade de haver um grande número de candidatos com a pontuação mínima além dos 105 aprovados. Apenas para deixar registrado, o último aprovado da turma de 2008 teve 62% de aproveitamento, escore bem acima dos 50% exigidos. Se considerarmos apenas os candidatos acima da faixa do 60% de pontuação, veremos que havia apenas 119 candidatos. O concurso não se torna nem mais fácil, nem mais difícil: apenas retorna ao padrão exitoso dos últimos anos.

2)Oitenta questões na prova objetiva da primeira fase: considerando-se que uma percentagem entre 95 e 98% dos candidatos será eliminada na primeira fase, acredito que se trata da mudança mais significativa de todo o concurso. A distribuição destas novas quinze questões pode beneficiar ou prejudicar qualquer candidato. Se houver mais questões de história, a média sobe; se houver mais questões de economia, a média desce; se houver mais questões de português e inglês, a média cai mais ainda. Particularmente, acredito que a distribuição das questões na prova deverá privilegiar, em primeiro lugar, português e inglês(as duas disciplinas juntas somando 30 questões, como ocorreu em 2007). Os candidatos precisarão redobrar a atenção em relação a seus pontos fracos para que não desperdicem os pontos ganhos com seus melhores desempenhos. Gostei da mudança, pois ela possibilitará um maior aprofundamento das questões, o que deverá privilegiar os candidatos com mais conteúdo.

3)Espanhol e Francês obrigatórios na quarta fase: trata-se de uma mudança que poderá prejudicar MILHARES de candidatos, mas, ao mesmo tempo, faz sentido para quem conhece a realidade do trabalho de um diplomata. Essa mudança vai servir para que os candidatos não adiem o estudo das línguas estrangeiras, que são essenciais para a realização de um bom trabalho. Quando os diplomatas são demandados a fazer um texto em francês, uma tradução ou um texto em espanhol ou precisam participar de uma reunião bilateral utilizando essas línguas, não poderá dizer que não sabe. Melhor realmente estudar agora e economizar tempo depois, porque, acreditem, o esforço para recuperar o tempo perdido seria muito maior!

4)Mudanças na bibliografia da segunda fase: nesta etapa houve mudanças significativas. Há, claramente, uma redução de ênfase nas temáticas literárias e a enfatização do pensamento sobre o Brasil, fundamentalmente sobre o século XIX. A inclusão de Esaú e Jacó não me surpreendeu, muito embora eu esperasse a inclusão de Memorial de Aires. Fiquem atentos, porque se trata de uma fase diferente da obra de Machado, bem diversa daqueles clichês a que muita gente se apegou para fazer a prova nos últimos anos. Eu aposto uma caixa de refrigerante light que Machado vai ser tema da redação: não será ignorado no centésimo primeiro ano de sua morte. A inclusão de Joaquim Nabuco possibilitará um bom cotejo entre as geração de 1870 e a geração de trinta, ali representada por Sérgio Buarque e Gilberto Freyre. A retirada de Caio prado Jr. não me agradou, mas minha opinião é parcial demais, considerando-se que eu sou fã e estudioso de sua obra. A retirada de darcy Ribeiro faz sentido, ainda mais se levarmso em conta o quanto ele foi tratado na redação de devia ser sobre Drummond;


O CACD 2009 será um concurso equilibrado, que privilegiará os candidatos mais bem preparados. Ser mais bem preparado, entretanto, não é pagar o curso preparatório mais caro ou saber muito de pouco. Ser mais bem preparado é ter conteúdo.


O momento agora é de concentração, de disciplina, de sacrifício e de superação. Ninguém, está reprovado antecipadamente, muito menos aprovado por decreto divino. O famoso índice HBC fará toda a diferença. Repitam o velho mantra: "estudar, estudar, estudar, estudar, estudar"!

Terça-feira, 13 de Janeiro de 2009

TESTE SEUS CONHECIMENTOS-PORTUGUÊS

Começamos hoje uma série de posts com exercícios de todas as matérias, de vários concursos realizados pelas mais diversas instituições, para que os candidatos possam lutar contra a ansiedade estudando. É um grão de areia no deserto do programa do concurso, mas exercitar sempre ajuda.

PS: o gabarito sempre será publicado no dia seguinte.


ANVISA-2007
Mãos à obra

Se, por acaso, você estacionar o carro em cima da 1
calçada e, na volta, encontrá-lo com o adesivo “Multado por
mim” na lataria, não se assuste, você não vai receber nenhum
auto de infração pelos Correios. A intenção do idealizador 4
desse selo é que você fique tão contrariado quanto ele ficou
quando encontrou o seu possante atravancando a passagem.
O adesivo, explica o urbanista idealizador, é uma 7
forma de protesto contra a nossa sociedade permissiva, que
faz vista grossa aos pequenos delitos diários. Se não resolve
os problemas, ao menos faz com que o infrator reflita. 10
O urbanista se deu de presente de aniversário o
primeiro milheiro de adesivos. Ele e os amigos que
receberam as etiquetas já estão multando. Sem querer ficar 13
com fama de chato, ele se defende: “Se todo mundo
manifestar suas certezas, podemos chegar a um consenso. As
decisões não podem ser tomadas apenas por um pequeno 16
grupo.”
Jornal do Brasil, 3/11/2005 (com adaptações).

Com relação ao texto acima, julgue os próximos itens.

( ) Com igual correção gramatical, a primeira oração do texto
poderia ser expressa da seguinte forma: Se caso você
estacione o veículo sobre a calçada.
( ) Com a forma de protesto utilizada, o urbanista mencionado
no texto visa, principalmente, atingir o Estado, que não
legisla sobre pequenos delitos.
( ) No texto, as palavras “adesivo” (R.2) e “selo” (R.5) designam
a mesma coisa.
( ) A última oração do texto, cujo verbo está na voz passiva,
corresponde, na voz ativa, à seguinte frase: Um pequeno
grupo não pode apenas tomar decisões por nós.

Domingo, 28 de Dezembro de 2008

ÓBVIO ULULANTE

A preparação para o CACD pode ser, em muitos casos, o caminho mais curto para a insanidade. Não faço essa afirmação como uma crítica sarcástica, mas como um constatação baseada na experiência como candidato,em primeiro lugar, e como professor que atua na preparação de candidatos, em segundo lugar. São tantas as pessoas, são tantas as personalidades e os perfis das pessoas envolvidas na preparação, que seria quase impossível tentar descrever todos os tipos. Alguns desses tipos, entretanto, merecem uma análise mais aprofundada.

Como candidato, certamente fiz parte do nem tão seleto grupo de "loucos" que se preparavam para o CACD. Para muito de nós, os obstáculos parecem tão grandes e intransponíveis que somente a adoção de um regime disciplinar quase militar parece satisfazer nossos anseios. Diante do "trabalho de Sísifo" de tentar cumprir todo o programa do CACD, todos os esforços parecem minúsculos. O resultado é o desenvolvimento de um grau, às vezes elevado, de obsessão pela prova: só falamos disso, só pensamos nisso, só imaginamos nossa vida feliz condicionada a esse objetivo cumprido. De certa forma, trata-se de um processo necessário à aprovação. Ainda que não seja preciso tamanho envolvimento 365 dias ao ano, qualquer pessoa que chegue à últimas etapas vai passar por esse processo(em diferentes graus, é claro).

Minha preparação teve duas etapas distintas: dois anos em Porto Alegre, onde fazia somente aulas particulares de inglês e português( até aquele momento não havia uma curso decente por lá) e lia noite e dia, dia noite, horas e horas, aos sábados, domingos e feriados.Lia no ônibus, lia no trabalho, estudava horas por dia em bibliotecas. Felizmente, o sistema de bibliotecas da UFRGS me dava acesso a 100% da bibliografia indicada. Essa primeira fase de preparação em POA, um pouco isolado e dependente de informações pela internet, foi a que me deu base sólida de conhecimento e de domínio do programa da prova. A segunda fase da preparação foi de cerca de sessenta dias, em Brasília, onde pude fazer um curso de revisão intensivo e ter contato com candidatos que estavam, digamos, em estágios mais evoluídos de preparação do que aqueles da minha terra natal. Essa segunda fase foi a que me ajudou a organizar o conhecimento que adquiri mediante milhares de páginas de leitura, mas eu certamente jamais teria sido aprovado sem toda a carga de leitura que tive. O fundamental é que, na primeira etapa da preparação, eu não tinha alternativa: ou lia muito ou desistia. Traçei uma linha reta até meu objetivo e não saí dela até que ele fosse cumprido: desligar-me dessa "obsessão" foi um processo lento e gradual, mas eu acredito que consegui(muito embora haja quem afirme que a manutenção deste blog é um sinal dessa obsessão-he he).

Como professor, tanto de curso preparatório, quanto particular, pude observar os mais diferentes comportamentos em relação CACD de candidatos dos mais diversos estágios de preparação. Alguns desses comportamentos levam a erros mais do que evidentes no processo de preparação, mas, infelizmente, é difícil para as pessoas perceberem seus erros de forma clara.

Muitos candidatos consideram-se suficientemente preparados e acreditam que uma revisão razoável das leituras que já fez e algumas aulas serão suficientes. Confiam excessivamente na memória, o que é um erro de significativas proporções. A memória é distorcida com o tempo e somente a realização de releituras constantes pode reduzir essa distorção. Tarta-se de fazer esforço extra para manter as informações sempre claras na memória. Tem-se de evitar o vício acadêmico de desvalorizar o conhecimento factual e privilegiar os aspectos gerais e analíticos. A prova objetiva, especialmente, enfatiza o conhecimento "decorado" de um conjunto de obras consideradas básicas. Muitas das questões que revoltam os candidatos são meros trechos de obras básicas que não são lidas pelos candidatos. Não importa o estágio de preparação em que o candidato esteja, sempre há mais o que estudar e há mais o que revisar: superestimar o próprio conhecimento é uma armadilha perigosa.

Outros candidatos fingem que estudam, ou somente acreditam que estão estudando. Fazem uma aula aqui e outra lá, fazem um curso preparatório, mas não lêem quase nada, não estudam fora das aulas e não têm o mínimo foco no CACD. Essas pessoas precisam de um choque de realidade. Ninguém a aprovado por milagre! A sorte pode ajudar na prova objetiva (e isso não é raro), mas não há santo que aprove alguém que não se atirar nos estudos em algum momento. Quanto mais tarde isso acontecer, menores as chances de aprovação.

Um terceiro grupo é formado pelas pessoas que tentam reduzir ao máximo o esforço necessário à aprovação. Muitos buscam fórmulas milagrosas, tentam reproduzir métodos de pessoas aprovadas, tentam encontrar o atalho desse caminho que mais parece uma rodovia de 1000 km de chão batido. Cada candidato precisa encontrar o método mais adequado às suas necessidades! Uns rendem mais com leitura, outros rendem mais com aulas. Uns rendem mais com fichamentos, outros não rendem nada com fichamentos. As tentativas de reprodução de métodos e de redução do esforço quase sempre atrapalham na consecução do objetivo de todos: a aprovação.

Há também os ansiosos e angustiados. Essas pessoas passam mais tempo pensando sobre a prova do que se preparando para realizá-la. Têm tanta preocupação com o edital, com o formato, com os boatos, com o número de vagas e com a composição das bancas que esquecem de se preocupar com as leituras, com o programa da prova, com a solução de suas deficiências em muitas matérias. Como resultado, essas pessoas ficam paralisadas, imobilizadas e, obviamente, não são aprovadas.


O CACD é uma prova com características muito específicas, mas está longe de ser perfeita. O êxito nessa difícil empreitada depende de um sutil equilíbrio entre talento e esforço, capacidade e disciplina. É muito freqüente que um candidato esforçado e disciplinado supere um candidato aparentemente mais bem preparado (uso o advérbio "aparentemente" para enfatizar a diferença entre boa preparação em geral e boa preparação para AS PROVAS). O esforço condicionado por um método falho pode causar desastres, mas a confiança no talento sem esforço pode ser ainda pior.

Por último, é importante que todos tenham consciência de que se tornar diplomata não é o único caminho para a felicidade e que ser aprovado no CACD não coloca ninguém num estágio superior da escala evolutiva das espécies. Ser ou não ser aprovado pode ser conseqüência de muitos fatores circunstanciais, mais do que de fatores estruturais. Tentem não deixar suas vidas se perderem numa obsessão que acabará perdendo o sentido e os tornando infelizes ou deprimidos.
Meu texto parece só falar do óbvio ululante, mas, acreditem, muitas pessoas não percebem essas obviedades.

Sábado, 6 de Dezembro de 2008

A MUDANÇA VEM AÍ... DICAS PARA O CACD 2009

Engana-se quem pensa que me refiro à eleição de Barak Obama nos EUA. O tópico aqui é, como sempre, o CACD.

Falar de mudanças no concurso não é nenhuma novidade, feliz ou infelizmente. Ao contrário do ano passado, até agora não foi publicada nenhuma portaria sobre modificações na estrutura da prova, o que indica a possibilidade de que as mudanças sejam conhecidas somente na publicação do edital do próximo CACD.Tudo pode, ou não pode, acontecer a partir de agora.

De acordo com o já difundido boato, a primeira etapa ocorreria em 15/02/2009. Pode ser verdade? Sim, pode. Apesar de ser apenas uma especulação, como todas as outras, tem fundamento no calendário dos concursos de 2006 e 2007, quando o Carnaval foi no fim de fevereiro e no início de março, respectivamente. É possível que a prova ocorra em outra data? Sim, é possível.

Há outras especulações importantes perturbando a vida dos milhares de candidatos espalhados pelo Brasil. Vamos discutir uma a uma:

a) a inclusão de prova de espanhol na primeira fase é, sem dúvida, a que provocaria maior "rebuliço", considerando que não se aprende língua estrangeira em quarenta dias(muito embora haja candidatos que acreditam na possibilidade de aprenderem inglês nesse período de tempo, caso passem de fase);

b) arealização da primeira e da segunda fases no mesmo final de semana, como ocorreu nos concursos de 2005 e 2006, é outra especulação importante. Redação, assim como língua estrangeira, não se aprende em quarenta dias. Quem não se preparou até agora terá sérias dificuldades na prova. As exigências dessa prova são muito específicas e os problemas de escrita dos candidatos, em geral, são muito maiores do que o tempo de preparação. A prova de redação é a que mais "derruba" pretensiosos de todo o gênero. Quem ainda não começou a escrever e a se preparar especificamente deveria começar agora: depois do edital pode ser tarde demais;

c) eliminação da bibliografia obrigatória da segunda fase: a possibilidade existe, mas isso não significa que seja possível ignorá-la até que o fato se confirme. Considerando as não raras tentativas de "encaixar" temas diversos no poema de Drummond, na prova de 2008(o que não é uma especulação, é um conclusão baseada na leitura de mais de noventa espelhos da prova deste ano), a possibilidade de alguma "surpresa" não é nada desprezível.

O importante é que os candidatos se conscientizem de que a prova está próxima e que é melhor estar preparado para tudo. Todo o tempo perdido com especulações não acrescenta nada em conteúdo ou em forma de preparação. Seja qual for a estrutura, uma preparação bem direcionada e com a devida profundidade na abordagem dos temas é a única "semi-garantia" de êxito.

Para ajudar os novos leitores do blog, deixo aqui os links dos textos que publiquei em 2007 com dicas de litura sobre todas as matérias. Eu os reli, comparei com a prova deste ano e concluí que nao há mudanças significativas a serem feitas, jé que meu objetivo foi sempre o de contribuir para a preparação mais completa e abrangente possível.

http://dialogodiplomatico.blogspot.com/2007/08/dicas-de-histria-do-brasil-para-o-tps.html

http://dialogodiplomatico.blogspot.com/2007/09/dicas-para-prova-de-ingls-no-tps.html

http://dialogodiplomatico.blogspot.com/2007/09/dicas-para-histria-mundial-no-tps.html

http://dialogodiplomatico.blogspot.com/2007/10/dicas-de-poltica-internacional-para-o.html

http://dialogodiplomatico.blogspot.com/2007/10/dicas-para-portugus-no-tps.html

http://dialogodiplomatico.blogspot.com/2007/12/dicas-para-geografia-direito-e-economia.html