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domingo, 5 de agosto de 2007

É POSSÍVEL CONCILIAR TRABALHO E A PREPARAÇÃO PARA O CACD

Não sou o primeiro, não serei o último, sequer faço parte dos mais destacados candidatos que conciliaram trabalho e estudo com a preparação para CACD. Creio que cada candidato que teve de superar este obstáculo pode contribuir com um relato rico em aprendizado com uma experiência tão difícil. Não farei um relato definitivo, muito menos pretendo impor minhas idéias como regra geral, mas procurarei debater algumas das principais dificuldades da tarefa de trabalhar para se sustentar e estudar para realizar um sonho.

Trabalhar é, feliz ou infelizmente, uma necessidade para a maioria dos candidatos. Aqueles que não podem contar com o apoio material da família ou que não têm um uma poupança que os permita largar tudo para se dedicar exclusivamente aos estudos precisam encontrar os meios para superar todas as dificuldades. Se eu pudesse, não hesitaria em largar tudo para me dedicar exclusivamente à preparação. Como não pude, só me restou fazer o impossível para alcançar um objetivo que me parecia intangível.

Há múltiplas variáveis a serem consideradas na conciliação do trabalho e da preparação. Não creio que haja uma hierarquia entre elas, cada candidato deve avaliar suas circunstâncias específicas de vida estabelecer as suas prioridades durante o processo que agora debatemos.

Disciplina e perseverança são requisitos fundamentais para o bom aproveitamento nos estudos de um candidato trabalhador ou de um trabalhador candidato(não são a mesma coisa). Estabelecer uma rotina diária de estudos que seja cumprida à risca, utilizar os finais de semana para aumentar o número de horas de leitura, transformar todos os intervalos eventuais em oportunidades de estudo podem ser atitudes muito importantes no desenvolvimento do processo de preparação. Ler no ônibus, ler no intervalo de almoço do trabalho, acordar uma ou duas horas mais cedo para estudar e ler jornais em inglês e espanhol/francês na internet durante trabalho são alguns meios de maximizar a produtividade.

O ideal é ter um trabalho de 6 horas diárias, com horário corrido, isso permite que o candidato programe de 6 a 8 horas úteis de estudo diário (aulas e/ou leitura). Melhor ainda se a tarefa que for executada no trabalho não exigir muito da capacidade intelectual. É muito importante estar com a mente descansada e arejada na hora de estudar. Pra quem deseja ser aprovado no CACD, o estudo tem de ser sua prioridade número um. Assumir grandes responsabilidades no trabalho, envolver-se com tarefas que exijam exagerado esforço intelectual ou assumir uma função que não tenha horário de trabalho fixo são atitudes que, sem a menor sombra de dúvidas atrapalham demais a preparação.

Um bom curso preparatório pode ser decisivo para o candidato que precisa trabalhar. Uma boa orientação docente nas leituras pode mudar completamente o perfil do candidato. É importante nunca esquecer que apenas aulas não vão aprovar ninguém: é fundamental equilibrar o tempo livre entre aulas e leituras. Se tiver de optar, melhor optar pela leitura(exceção feita às línguas estrangeiras).

Infelizmente, a maioria dos candidatos espalhados pelo Brasil não podem contar com bons cursos preparatórios, nem mesmo com professores particulares especializados no concurso. Nesse caso, cada minuto livre precisa ser utilizado para "comer" os livros, um atrás do outro, e exercitar a redação e as línguas estrangeiras.

Outra variável relevante é o custo financeiro da preparação. Custa caro, muito caro. Eu me preparei durante 2 anos com renda mensal líquida em torno de 1000 reais, com os quais me sustentava sozinho, fazia um mestrado e me preparava para o CACD. Fui obrigado a fazer mágica com o pouco que tinha, mas consegui. Utilizar o máximo possível de bibliotecas, mesmo que não possa retirar os livros de lá, ajuda muito. Vá às universidades e estude lá. Se não houver bibliotecas disponiveis, vá a uma livraria de shopping, tome um café, pegue os livros e os leia lá. Faça cópias quando puder, troque fichamentos pela internet, use a internet como ferramenta de estudo. Há milhares de sites com conteúdo diretamente relacionados à preparação em todas as matérias.

Eu, particularmente, me endividei para me preparar. Seria impossível para mim ser aprovado sem fazer aulas particulares de inglês, meu grande pesadelo e maior obstáculo nesse concurso. Pra ser sincero, ainda estou endividado até agora, mas é melhor ser um diplomata endividado com a preparação do que ter uma vida frustrada por não ter tentado realizar meu sonho, não é verdade?


É difícil fazer tudo isso? Claro que é! Mas alguém disse que passar no CACD é fácil? Tudo depende da vontade do candidato. E vontade de verdade: fazer os sacrifício necessário para realizar o seu sonho. O que o candidato que trabalha e estuda não pode, de jeito nenhum, é desistir e deixar de acreditar. Eu acreditei, e mesmo com todas as dificuldades financeiras, materiais e emocionais eu consegui chegar até aqui. Eu não estudei em escolas particulares, eu tive sérias dificuldades(de todos os tipos) durante a universidade, eu não pude contar com o auxílio da minha família, eu tive de me virar sozinho, trabalhar, estudar e defender um mestrado no meio da terceira fase do concurso.

O caso que se abateu na minha vida não me fez desistir. Isso não me torna genial, não me torna melhor do que nenhum outro aprovado no concurso. Isso apenas prova que aqueles que são capazes de se sacrificar, que acreditam e que não desistem têm condições de serem aprovados no CACD.

Disciplina, paciência, vontade e capacidade de sacrifício são as características que eu acredito que quem vem de baixo precisa pra ser aprovado. É o que eu desejo a todos vocês.

19 comentários:

Anônimo disse...

Só uma pergunta: Vc fez algum curso preparatório?

Natalia Regina Maciel disse...

Uma ajuda e tanto! Estarei sempre por aqui! Obrigado!

Péricles disse...

Maurício,

Gostei bastante do seu texto, pois estou tendo que estudar e trabalhar, e muito do que você falou lá eu já tinha imaginado, como por exemplo não me envolver em nada muito complexo no trabalho, que a preparação tem que estar em 1º lugar, gostei muito mesmo de ler isso!!! Não sou o único louco...

Comecei hoje a ter aulas no O Diplomata pela manhã, e trabalho de 13:00 às 20:00.

O tempo que terei para ler será de 21:00 às 23:30, tirando, lógico, os horários que o movimento no trabalho não estiver muito.

Faço coro à postagem anterior: Você fez algum curso preparatório?

Grande abraço,

Cristina disse...

Oi,
Verdadeiramente é uma preciosidade o blog.

Mais uma vez, parabéns!!! Excelente texto.

Cristina Borges Mariani

Péricles disse...

Acho que houve um problema com o outro comentário que escrevi, mas, mais uma vez, parabéns!!!

O texto é um grande incentivo a quem está tendo que trabalhar.

Um grande abraço.

Anderson Marcos disse...

Estou iniciando minha preparação nessa batalha que é o CACD. Seu texto foi de grande incentivo e benefício nessa minha fase.

Maxlene disse...

Maurício,
Parabéns pelo excelente blog.
Adorei ler teu texto, histórias como a tua são grandes incentivos pra quem tem que conciliar trabalho e estudo.
Muito obrigada mesmo e sucesso pra você.

Elter Nehemias Barbosa disse...

Olá, Maurício e demais,

Minha preparação ao CACD ao longo de três árduos anos jamais se deu desassociada de no mínimo 24 horas de trabalho semanais como médico urgentista no SIATE-SAMU em Goiânia e como médico clíncio no PS do Hospital Regional de Taguating, por alguns meses chegando 36 horas.
Quem quer nem sempre consegue. Qundo consegue, é porque investiu, mesmo que em condições extremamente anormais de temperatura e pressão.

Tá aí a minha receita para o CACD:

1) Forme-se em Medicina, porque deve ser o curso que tem menos a ver com o CACD. Isso te permitirá ser uma tábula rasa quando começar sua preparação. Convenhamos, há uma certa graça e estilo em ser tábula rasa!

2) Trabalhe como médico durante seus estudos para o CACD, por vezes em missões de resgate de acidentes indescritíveis com dezenas de vítimas graves. Outras vezes você preferirá o ambiente de emergências hospitalares, onde por um ano trabalhei manejando infartos, ave's, insuficiências respiratórias mil, sepses, insuficiências renais, hepatites, cirroses hepáticas, e, é lógico, muita intoxicação alcóolica. Depois, é só chegar em casa, ligar Cat Steves no último volume, livrar-se das assombrações que te pertubam e abraçar seus livros.

3) Arranje férias mandraques no serviço público médico (trocas de plantão aqui e acolá e de repente vc poderá ter um mês participanto de seminários, treinamentos e aperfeíçoando Inglês na Europa). Faça isso religiosamente, todo ano. É como um terço, vc tem que rezar com regularidade: na prepara cão ao CACE, vc tem que viajar com disciplina, pelo menos uma vez ao ano, para uma realidade completamente da sua, seja Botswana ou Estocolmo, a fim de acrescentar estímulos auditivos e sonoros äs suas sinapse.

3) Nunca desistir. Jamais.

Pronto, simples assim.

M-A-C disse...

Elther,
Adorei o comentário. kk
Uma fórmula e tanto!

Fernanda disse...

Gostei muito do seu texto. Qual foi o prof de inglês q vc pegou?! Estou na mesma situação manda o contato do profe!!
Fernanda

Lucicleide disse...

Olá Péricles,

Gostaria se possível de informações acerca do curso O Diplomata, pois pretendo cursá-lo. Assim como você, trabalho de 14:00 às 20:00. De repente podemos trocar mais informações referentes ao concurso.
Luci

Luiz Gustavo disse...

Sem dúvida, seu texto é sensato, ponderado e estimulante. Parabéns e obrigado! Parabéns, também, pela iniciativa do blog, que está voltado para os outros, e não para si próprio. Luiz Gustavo Givisiez

Anônimo disse...

ola, sou uma estudante-trabalhadora e sei o quanto e dificil conciliar ambos. Ainda mais quando a faculadade e em outra cidade e qdo vc chega nao tem tempo nem pra almoçar sai correndo pro trabalho... mas hei de vencer esta batalha...
bjossss

Carol.H.G. disse...

Olá!! Gostei muito do seu texto. E eu me encaixo muito nessas circuntâncias que tu viveste. Vou começar o cursinho no 2º semestre, e yenho que trabalhar para me sustentar longe da família e ainda por cima, tenho o mestrado!! Cansei de ouvir das pessoas que fazer tudo isso junto e ser aprovada no concurso é impossível! Eu tenho muita força de vontade, e a diplomacia é um sonho que eu vou alcançar!
Muito obrigada pelas palavras estimulantes!!

Abraços.

Douglas Andrade disse...

tenho que te confesar,eu estava um pouco desanimado e desacreditando que poderia conseguir passar no concurso por causa que terei que trabalhar.Infelizente ,apenas estudar não é uma opção para min ..Mais depois de ver a sua história .. Posso dizer que agora me sinto mais motivado ..

Muito obrigado por dividir isso conosco !

Douglas Andrade.

Natalia disse...

OTIMO RELATO!!

FEZ ALGUM CURSO PREPARATÓRIO??

Anônimo disse...

Olá, gostei muito o texto... desde meus 14 anos venho me interessando muito por carreira de diplomata... sempre era representante de classe, organizava eventos, etc... hoje, mais do que isso, amadureci minha escolha e pretendo prestar o CACD daque uns 8 anos mais ou menos. Estudo 5 horas por dia, irei tentar Relações Internacionais, depois disso, pretendo um mestrado, depois disse, reservarei um ano apenas para me preparar para o concurso - e desde já organizando uma poupança para que tenha condições de me preparar em um ano; não é qualquer um que passa de primeira no CACD, por isso tenho em mente que se não passar de primeira, devo me preparar mais ainda para ter todo o sucesso em uma segunda vez.

Desistir? Horas, eu sou brasileiro! rsrsrs..... e quem desiste e porque não tem interesse na carreira de diplomata.

Abraços.

Humberto Ramón disse...

Parabéns pelo comentário e pela perseverança.

Sou de Caruaru, Pernambuco, terra de Álvaro Lins. Estou iniciando minha preparação para o CACD e para isso vim para Belo Horizonte, onde terei isolamento, tempo e demais subsídios para ter uma preparação adequada. Todo bônus tem um ônus, no meu caso, abri mão da convivência com família e amigos, abri mão de estar na minha cidade que conheço como a palma da minha mão, para vir até uma cidade e me preparar melhor, fazendo cursinho e tendo um ambiente propício para a preparação.

Aqui estou em BH morando unicamente com minha irmã, porém em plena solidão, já que ela trabalha o dia todo e a noite tem aula na faculdade. Também, como é dito no relato do autor, minha irmã me leva à biblioteca da faculdade (PUC Minas) e lá tenho acesso a vários livros. Ir às bibliotecas e livrarias é, realmente, uma excelente forma de ter acesso aos livros no caso de dificuldades econômicas para comprá-los.

Que Deus abençoe a todos os candidatos!!! Sucesso!!!

Rebecca disse...

Muito bom seu texto. Na verdade, MARAVILHOSO! Ajuda, e muito, no aspecto mais importante, o psicológico. PARABÉNS!!