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quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Política Internacional - 3ª Fase

Caros amigos do Diálogo Diplomático

A convite do Maurício, sou o mais novo colaborador deste blog, e espero contribuir para com todos aqueles que estão preparando-se para o CACD e, de modo geral, todos os leitores que se interessem por Política Externa e Diplomacia.

Meu nome é Fábio Simão Alves, sou formado em Relações Internacionais pela USP e sou diplomata. Fui aprovado este ano. Pretendo compartilhar com todos vocês um pouco do que aprendi durante minha longa preparação. Política Internacional será o tema da maior parte dos meus comentários, por ser não apenas uma das minhas paixões, mas, também, a disciplina em que tive o melhor desempenho no CACD. Não esperem encontrar apenas dicas para o Concurso, no entanto: tenho também a intenção de escrever alguns artigos sobre o assunto - lembrando que estes refletirão sempre minha opinião, e jamais, necessariamente, a do Itamaraty.

Para começar, vou dar algumas dicas que, creio, serão úteis para a prova de Política Internacional da 3ª fase. Aproveitando que o Maurício já escreveu sobre a disciplina no TPS, deixarei esta fase de lado.

A prova de PI assusta já pelo conteúdo cobrado: a bibliografia é vastíssima, e cobre uma variedade de temas: política internacional, política externa brasileira, teoria das relações internacionais, questões internacionais contemporâneas etc. Em que se concentrar?

Acredito que política externa brasileira deva ser o norte dos estudos para PI. Das cinco questões do concurso este ano, quatro versavam sobre política externa do País. Em segundo lugar, creio que um enfoque analítico é fundamental; é preciso saber trabalhar com os conceitos e temas de PI, porque o tipo de questão pode induzir o candidato a privilegiar um enfoque descritivo, histórico, quase narrativo, e isso não é o que se pede no Concurso...

Ler os livros da bibliografia indicada é fundamental - mas não todos, como o Maurício já deve ter dito. Muitos são dispensáveis. Alguns, em contraste, são quase obrigatórios. Amado Cervo & Clodoaldo Bueno e Henrique Altemani são dois deles. Outros que são recomendáveis são Robert Gilpin, Flávio Sombra Saraiva, Moniz Bandeira, José Guilhon Albuquerque e Paulo Vizentini.

Os livros são essenciais, mas não suficientes. Manter-se a par da política internacional na atualidade, no dia-a-dia mesmo, é importantíssimo. Considero leituras obrigatórias revistas especializadas (Política Externa, Contexto Internacional, Foreign Affairs...), artigos publicados por Diplomatas (RelNet é referência óbvia) e mídia internacional (The Economist é altamente recomendável). Este tipo de leitura não apenas mantém o candidato atualizado quanto à política internacional, mas também ajuda-lhe a desenvolver o senso crítico e a capacidade de analisar temas internacionais contemporâneos.

Bom, para um primeiro contato, creio ter atingido o objetivo, que era fornecer dicas mais gerais sobre a prova de PI. Evidentemente, as dicas nunca se esgotam em algumas poucas linhas; ademais, cada candidato desenvolve, ao longo de sua preparação, uma rotina e um método de estudos próprios, com o que descobre, por fim, suas próprias dicas.

Uma última sugestão (e me desculpem a obviedade): não esperem descobrir segredos ou truques para passar no CACD. A maior dica que eu posso dar - e nesta insistirei sempre - é: estudem. Muito.

Abraços e até uma próxima oportunidade!

terça-feira, 13 de novembro de 2007

RESENHAS

Faremos uma pequena pausa nos debates sobre o CACD. O Diálogo Diplomático está publicando quatro resenhas de obras relacionadas à diplomacia, elaboradas como exercício da disciplina de redação do IRBr. Eu decidi compartilhar minha resenha e meus colegas Fábio Simão Alves, Gustavo Pereira e D. G. Ducci aceitaram o convite para publicarem as suas. Os temas e obras podem interessar a muitos leitores do blog, espero que apreciem.
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CARVALHO, José Murilo de. D. Pedro II. Série Perfis Brasileiros, Rio de Janeiro: Cia das Letras, 2007.

Maurício Costa


A história do Brasil contada do ponto de vista do Imperador ou a vida do Imperador contada de acordo com a história do Brasil? A biografia de D.Pedro II, escrita por José Murilo de Carvalho, é uma resposta afirmativa a ambas as perguntas. Da abdicação do pai ao ocaso do Império no simbólico baile da Ilha Fiscal, acompanhamos, ao mesmo tempo, o processo histórico e os sentimentos de um homem que confundiu sua vida com a vida política do País.
A obra de José Murilo de Carvalho é um exercício historiográfico de alto grau de dificuldade. O autor elaborou seu trabalho com base nos diários e cartas de D. Pedro II, bem como em uma ampla consulta bibliográfica e em diversas outras fontes primárias. A narrativa é fluida, quase literária, muito embora não lhe escapem a precisão dos fatos e o viés analítico do historiador. O autor é bem sucedido na tarefa de conciliar os processos, os personagens, os sentimentos e as convicções na condução da narrativa.
O medo dos canhões, a coroação e o choro de um menino de cinco anos em 1831 se misturam à necessidade de manutenção da unidade nacional, à instabilidade política e ao processo de consolidação do Brasil independente. Pedro de Alcântara, o imperador criança, seria um dos estadistas mais respeitados do mundo. D.Pedro II seria um homem de amores impulsivos, de amor duradouro pela Condessa de Barral, frustrado por não ter a oportunidade de viver como um cidadão comum.
Ao longo da narrativa, conhecemos o D. Pedro II apaixonado pelas letras e pelas artes, homem culto e de convicções fortes. Esse mesmo D.Pedro II também nos é apresentado como um homem de princípios políticos claros, exasperado com a hipocrisia dos políticos profissionais, absorto pelos problemas do país e apaixonado pelo Brasil. Um D. Pedro II diferente daquele personagem dos livros escolares nos é revelado quando seus amores, suas paixões e seus desejos são narrados de próprio punho em suas cartas e em seu diário pessoal.
A história pessoal tem como pano de fundo os principais fatos históricos de seus quarenta e nove anos de reinado: a maioridade, a consolidação da unidade nacional, as políticas intervencionistas na Bacia do Rio da Prata, a Guerra do Paraguai, as relações com a Inglaterra, a questão religiosa, a questão da abolição, o republicanismo e. as contradições do poder moderador. A voz de Pedro de Alcântara, homem comum e Imperador, com mediação de José Murilo de Carvalho, expressa seus sentimentos e convicções em relação a tais eventos e contribui para esclarecer muitas dúvidas a respeito de interpretações de seus atos como governante do Brasil.
A doença, a decadência de sua capacidade para unir as elites políticas, a queda e o exílio dão ao epílogo da obra de José Murilo de Carvalho, assim como ao epílogo da vida de Pedro de Alcântara, um tom melancólico que parecia prenunciar o caos que se instalaria no Brasil republicano. A morte de D. Pedro II não é o fim de sua história, mas o início da recuperação da imagem de estadista, de político e de maior personalidade brasileira do século XIX, quem sabe a maior de nossa curta história como nação independente.
D. Pedro II, da série Perfis Brasileiros, é uma biografia de altíssima qualidade que merece a atenção dos leitores, tanto pela beleza da história que é contada quanto pelo talento do historiador José Murilo de Carvalho, um de nossos maiores especialistas em história do Império.

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Barboza, Mario Gibson. Na Diplomacia, o Traço Todo da Vida. Rio de Janeiro: Record, 1992.
Resenha

Fábio Simão Alves

O historiador e escritor escocês Thomas Carlyle disse uma vez que “uma vida bem escrita é quase tão rara como uma vida bem vivida”. Avaliada a partir dessas palavras, “Na Diplomacia, o Traço Todo da Vida” é, certamente, uma daquelas obras raras, ou melhor, duplamente raras: o livro do ex-chanceler Mario Gibson Barboza é uma vida bem escrita a respeito de uma vida bem vivida.
A obra de Mario Gibson não é, a bem da verdade, uma autobiografia, mas, antes, um livro de impressões, um livro de memórias do tipo incomum: “Na Diplomacia...” é muito mais uma história fatual da política externa do Brasil, durante um período de mais de meio século (1940-1992), do que a história da vida de um homem. Mario Gibson se coloca como o co-adjuvante de um enredo em que a Diplomacia brasileira é a personagem principal.
Mario Gibson Barboza é uma das figuras mais destacadas da Diplomacia brasileira contemporânea. Ingresso no serviço exterior em 1940, galgou ao longo de cinco décadas os postos mais importantes da carreira: ministro-conselheiro nas Nações Unidas; Embaixador em Washington, Londres e Roma; Chefe de Gabinete nas gestões Raul Fernandes, Afonso Arinos e San Tiago Dantas; Secretário-Geral na gestão Magalhães Pinto; e, finalmente, Ministro de Estado das Relações Exteriores no governo Médici. Mais importantes do que sua trajetória pessoal, no entanto, foram as profundas transformações por que passou o Brasil no período que coincide com sua carreira, e que são, na realidade, o fio condutor de seu livro.
Com elegância e sensibilidade, Mario Gibson descreve algumas das figuras mais importantes de nossa Diplomacia: suas páginas trazem ricas histórias de Raul Fernandes (“o homem que viria a ser tão importante em minha vida, que me daria todo seu afeto de pai que nunca foi, que exerceria tão forte fascínio sobre mim e seria determinante na minha carreira diplomática”) e San Tiago Dantas (“depois que o encontrei, tanto sua figura de homem público como sua persona me foram sendo reveladas no que para mim ficou sendo a minha verdade [...]. Como e quando se organizará novamente um ser tão excepcional?”). Não faltam tampouco análises penetrantes das mais variadas personalidades políticas, do Brasil e do mundo, que Mario Gibson conheceu durante sua carreira: Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros, Emílio Médici, Delfim Netto, Golda Meir, Henry Kissinger, Richard Nixon, Anwar Sadat...
Exibe uma visão abrangente e perspicaz quando analisa os principais momentos da política externa brasileira na segunda metade do século XX. De forma bastante modesta, põe-se no lugar de observador, mesmo nos momentos em que atuou de forma decisiva, para oferecer ao leitor um relato preciso de momentos fundamentais da Diplomacia brasileira, como o lançamento da Operação Pan-Americana, a expulsão do governo cubano da OEA, o lançamento da idéia de Itaipu, a transferência do Itamaraty para Brasília, o lançamento da Diplomacia do Interesse Nacional no governo Médici, as crises com os Estados Unidos nos anos 70, a consolidação da política africana na Diplomacia brasileira. Sua perspectiva de participante de todos esses momentos oferece ao leitor uma nova visão dos fatos, que perdem parte do caráter formal que imprimem os manuais de História Diplomática para, quase que romanceados – sem prescindir, no entanto, de fidedignidade – assumirem uma proximidade que atrai o leitor para dentro dos acontecimentos, tornando-os muito mais interessantes à medida que se revelam mais e mais próximos.
No livro, não faltam passagens que desvendam momentos de bastidores da Diplomacia, sem que o autor, no entanto, se incline para a vulgaridade do gossip, tão ao gosto de muitos (pseudo-)escritores de memórias, inclusive ex-diplomatas... Uma das mais interessantes, reveladora do caráter de Mario Gibson e de seu amor pela Casa, é um diálogo que teve com o Presidente Médici, em 1971, a respeito de críticas que o então super-ministro Delfim Netto tecera à política africana lançada pelo Itamaraty. O Chanceler, ultrajado pelas críticas de Delfim, mandara o Secretário-Geral, Embaixador Jorge de Carvalho e Silva, rebatê-las por meio de nota à imprensa, o que desagradou ao Presidente. Repreendido fortemente por Médici, Gibson assumiu posição de resistência decidida: “Olha, Presidente, vamos fazer um acordo? O senhor fala com o Delfim Netto para não se meter no Itamaraty. Ele se mete em todos os Ministérios, eu não tenho nada a ver com isso. Mas no meu não se mete”. Ao que Médici respondeu, sorrindo, de forma surpreendente para o próprio autor: “Você é um pernambucano de sangue muito quente. É pior do que no Rio Grande!”.
É com clareza, sensibilidade para os fatos e as pessoas e, mesmo, certa informalidade que Mario Gibson tece em sua obra um quadro de impressões nítidas sobre os cinqüenta anos de Diplomacia brasileira dos quais foi co-adjuvante – ora secundário, ora principal, mas sempre um co-adjuvante. “Não pretendi fazer desta narrativa uma autobiografia, nem tampouco um livro de memórias”, escreve-nos Gibson. Não há no livro sua história; o que há ali são, como reconhece o ex-Chanceler, “minhas histórias”. Histórias da Diplomacia, que se confundem com a história da vida de um homem excepcional. A obra revela, talvez, a sina de todo diplomata: suas vidas pessoal e profissional inevitavelmente se confundem, a ponto de ser uma única vida, vida esta cujo “traço todo” está fadado a ser a Diplomacia.
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SARAIVA GUERREIRO, Ramiro. Lembranças de um empregado do Itamaraty. São Paulo: Siciliano, 1992.

Gustavo dos Santos Pereira


A obra Lembranças de um empregado do Itamaraty, do diplomata e ex-ministro das Relações Exteriores Ramiro Saraiva Guerreiro, ao lado das memórias do embaixador Gibson Barbosa (Na diplomacia, o traço todo da vida), constitui retrato fiel da atuação do Itamaraty na década de 70 e no início dos anos 80, período dos mais significativos para a redefinição da política externa brasileira.
O título da obra, segundo o próprio diplomata, remete a uma expressão comumente usada pelo embaixador Cyro de Freitas-Valle, a quem credita muito do que sabe e a quem considera um mentor intelectual e profissional. Nas próprias palavras de Guerreiro, “não há capacidade de mando se antes não se obedeceu”; para ele, portanto, a expressão “empregado do Itamaraty” reveste-se de um tom de humildade e revela o espírito de aprendizado árduo do qual está imbuída a profissão de diplomata.
Ao longo do texto, damo-nos conta facilmente de que Saraiva Guerreiro tem a preocupação de convidar o leitor a adentrar o universo de suas memórias. É inegável a estratégia de ambientação que o ex-ministro adota para que o leitor se sinta familiarizado com os conceitos que norteavam a diplomacia brasileira na época em foco. Terceiro-mundismo, política externa independente, desenvolvimento, não-alinhamento são conceitos manuseados com habilidade e conhecimento de causa pelo autor de maneira a trazer o leitor ao pensamento do Itamaraty no período do chamado “pragmatismo responsável” em política externa.
Saraiva Guerreiro teve uma brilhante carreira. Serviu em Washington, Paris e Nova Iorque, na missão junto a ONU, e tornou-se conhecido por sua atuação como secretário-geral da casa (de 1974 a 1979) durante o governo Geisel e como ministro das Relações Exteriores do governo Figueiredo (de 1979 a 1985). Testemunhou, nessas altas funções, episódios da política internacional tão marcantes quanto a Guerra das Malvinas ou a formação do Grupo de Contadora, de apoio à pacificação dos países da América Central. É sobre esse período que transcorrem as histórias e relatos da obra, sempre pontilhadas pelo bom-humor que é habitual a Saraiva Guerreiro.
Um dos trunfos de sua estratégia discursiva é evitar que o livro siga um roteiro cronológico. Com efeito, Saraiva Guerreiro nos brinda com suas ricas experiências e as anedotas saborosas sem preocupar-se com qualquer tipo de ordem ou plano. O livro atrai o leitor ao aproximar-se do fluxo de consciência, ao acercar-se quase de um relato leve de quem toma uma caneta à mão e desata a escrever. Ressalte-se, contudo, que se há divisões em Memórias de um empregado do Itamaraty, essas são temáticas, por opção didática expressa do autor.
É interessante notar que o ex-ministro de Estado, entre uma anedota e outra, defende a idéia de que o “pragmatismo responsável” é uma releitura crítica da antiga “política externa independente”, e não significa outra coisa senão uma natural adaptação do Itamaraty aos novos desafios do mundo da détente, sem abandonar suas tradições. Nas entrelinhas do seu discurso, extrai-se o âmago da política externa que ajudou a elaborar: uma opção deliberada por aquilo que hoje se chama de “Sul”, e um certo ressentimento para com um “Norte” incapaz de contribuir para satisfazer as necessidades próprias de um país em desenvolvimento como o Brasil.O livro de Saraiva Guerreiro é conciso, elucidativo e de leitura extremamente agradável e lúdica. Mais do que isso, o livro ganha um interesse especial já que trata de uma época que se constitui como embrião da atual política externa brasileira: Memórias de um empregado do Itamaraty prova como esta é herdeira da política externa do Itamaraty dos anos 70, e como a continuidade tão cara a esse ministério não é apenas um discurso retórico.

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Diplomacia Cultural, de Edgard Telles Ribeiro

D. G. Ducci

O chanceler Celso Amorim tem reiterado que o processo de integração sul-americana não deve ser apenas um projeto de governos e de empresários, mas também dos povos e das civilizações. Não basta que os presidentes e os políticos sejam integracionistas; é preciso, nas palavras do ministro, que o “guarda da esquina” também o seja. Mudanças no pensamento e nas atitudes das populações significam aquisições de traços culturais diferenciados. Amorim, que construiu boa parte de sua carreira preocupado com os temas da diplomacia cultural, sabe muito bem disso.

Outro profundo conhecedor dos meandros da ação diplomática no campo da cultura é o Embaixador Edgard Telles Ribeiro. Assim como Amorim, Telles Ribeiro tem sua carreira ligada à área cultural do Itamaraty. Além de diplomata, é romancista e contista, tendo publicado cerca de uma dezena de livros na última década e meia. Sua obra – estranhamente menos conhecida do grande público do que deveria – já foi publicada em diversos países, como Estados Unidos, Alemanha e Holanda.

Desde o fim da década de 1970, Telles Ribeiro tem trabalhado com temas afeitos às relações culturais do Brasil. Seu livro “Diplomacia Cultural: seu papel na política externa brasileira” foi publicado, em 1989, em uma tradicional edição da Fundação Alexandre de Gusmão, e trazia as reflexões, até aquele momento, do então Conselheiro da carreira diplomática.

Telles Ribeiro escrevia, naquele momento, em um mundo em que a Internet ainda não havia se popularizado para além os meios militares e acadêmicos, e em que o tema da globalização ainda não havia se tornado recorrente na imprensa e nos trabalhos dos intelectuais. O Mercosul não existia, e, no ordenamento jurídico interno, não havia leis de incentivo à cultura nos moldes da Lei Rouanet e da Lei do Audiovisual. Dessa forma, poder-se-ia dar a impressão de que o livro está ultrapassado e fora de contexto. Entretanto, as bases conceituais e estratégicas sobre o tema, ali presentes, sobreviveram ao tempo e ganharam relevância.

Não se trata de obra que aprofunde a discussão sobre o conceito de cultura. A bibliografia utilizada no estudo traz autores ligados não à antropologia, mas à política e às relações internacionais. Em vez da interpretação das culturas de Clifford Geertz, o texto tem como base Charles Frankel, relatórios da UNESCO, Celso Furtado e até T.S.Eliot. Em breves três páginas, Telles Ribeiro admite “tomar de empréstimo à antropologia sua concepção mais básica de cultura”, que seria a “soma dos hábitos, costumes e realizações de um indivíduo, uma comunidade, um povo, ao longo de sua história”. Essa definição simples serve aos propósitos do estudo, a discussão dos parâmetros de desenvolvimento da diplomacia cultural.

O autor reconhece e reforça as duas grandes frentes de ação da diplomacia cultural. Por um lado, pode ser utilizada como um instrumento de aproximação entre os povos, de amenização das desconfianças mútuas e de fomento à cooperação internacional em causas comuns como a luta pela paz e a preservação do meio ambiente. Por outro lado, a consecução de objetivos nacionais de natureza diversa da cultural – prioridades políticas, econômicas e comerciais – pode encontrar nas ações da diplomacia cultural poderoso mediador e aliado.

Além disso, é defendida a tese de que, ao promover seus bens culturais no exterior, os países reafirmam permanentemente suas identidades nacionais. A diplomacia cultural do Brasil, ao trabalhar além das fronteiras do país, seria parte de nossa consolidação interna. Esse duplo efeito teria maior eficácia quanto mais as linhas de ação refletissem a diversificada realidade cultural brasileira. O Ministério das Relações Exteriores possuiria, pois, papel singular também em áreas da política cultural interna do país.

Passadas quase duas décadas da publicação de “Diplomacia Cultural”, a escassez bibliográfica acusada no prefácio de Sergio Rouanet permanece. Fica o convite para que Telles Ribeiro e outros diplomatas e acadêmicos atualizem o tema, incorporando novas abordagens das relações internacionais – como, por exemplo, o modelo de “poder estrutural” de Susan Strange – a suas contribuições. Em tempos de diplomacia dos povos, nada parece mais justificável.

sábado, 27 de outubro de 2007

DICAS DE PORTUGUÊS PARA O TPS

Chegamos ao último texto referente a TPS. Mais uma vez, destaco que minhas dicas se baseiam no TPS 2007 e na premissa de que o CESPE continuará realizando as provas. Não se esqueçam de que nenhum dos últimos 7 TPS's foi igual e que poderá haver mudanças. Não negligenciem nenhuma matéria do programa do concurso em função do TPS!

Vamos, então, ao tema principal deste texto, a prova de português.

Acredito que português é uma das poucas matérias do concurso para qual o estudo individual é pouco produtivo. É muito necessário ter um bom professor, que possa esclarecer dúvidas sobre as minúcias e, principalmente, explicar os motivos pelos quais erramos e pelos quais acertamos (muitas vezes acertamos sem saber a razão e em outra oportunidade erramos a mesma questão). Ler gramáticas ajuda pouco e ainda cria uma antipatia crescente pela matéria.

O método mais eficiente para o estudo de português é o de solução de exercícios. O CESPE disponibiliza em sua página centenas de provas dos mais variados concursos públicos. Faça todas quantas forem possíveis. Não importa qual concurso seja, se é de nível médio ou superior ou se tem relação ou não com a carreira do erviço exterior. Tribunais, agências reguladoras, vestibulares, ministério público... As provas do CESPE mantêm um padrão de abordagem, de temas e de formulação de enunciados. Eu mesmo resolvi mais de 100 provas de português do CESPE. A cada dúvida, ia até minha professora discutir e aprender os motivos que basearam o gabarito da banca. Treino até o cansaço é a solução: repetição, absorção e observação dos padrões da prova.

Alguns tópicos são mais difíceis e mais polêmicos, mas são facilmente sanáveis pela adequação aos padrões da prova. Vamos a eles:

1-Pontuação: muitas "cascas de banana" aprecem com o uso de travessão, parênteses e vírgula, muitas vezes o uso misto das três coisas. É importante estudar bem esse tópico, pois é muito recorrente. Numa prova objetiva, sempre é bom lembrar que aquilo que as gramáticas definem como facultativo É CORRETO. Não tenham dúvidas ao marcar a opção. Em questões do tipo "avalie a correção gramatical dos trechos seguintes", o uso dessas "cascas de banana" é MUITO RECORRENTE. O jeito é decorar as minúicas das "regrinhas" e resolver exercícios, pois podem valer os preciosos 0,25 pontos que deixaram 8500 pessoas de fora da segunda fase em 2007;

2-Interpretação de texto: não se trata de algo "ensinável" ou completamente "treinável". O processo cognitivo de cada indivíduo influencia o resultado. É possível, entretanto, reduzir as dificuldades com muita atenção e exercício. Para facilitar, o estudo da diferença entre dedução, inferência e conclusão a partir de um texto é fundamental para evitar erros bobos de interpretação;

3-Regência e concordância: muitos erros comuns são resultantes do uso corrente de algumas expressões na linguagem oral que não estão de acordo com a norma culta. Muita atenção com a concordância e, principalmente, com o uso de preposições;

4-Acentuação: crase, sem dúvidas, é a maior dificuldade nesse tópico. É importante decorar todas as regras de facultatividade e obrigatoriedade do uso, bem como as exceções, para não perder pontos. Em geral são questões difíceis;

5-Nexos lógicos: conjunções e pronomes comumente são difícies, principalmente porque as provas do CESPE pedem que reconheçamos as funções exercidas por uma palavara ("que", por exemplo, pode ser conjunção integrante ou pronome relativo, muita atenção também com o uso do "se"). É importantíssimo conhecer os usos corretos das conjunções, pois na linguagem oral temos diversos vícios de linguagem que nos induzem ao erro quando estamos respondendo uma questão de acordo com a normal culta. MUITO CUIDADO!

Minhas sugestões não são exaustivas, evidentemente. Todo o programa de português deve estar "na ponta da língua", ou da caneta, para se fazer a prova. Tentei apenas esclarecer alguns pontos cruciais das provas de português do CESPE, já que resolvi mais de 100 delas durante a minha preparação. O resultado foi uma elevação na minha média de desempenho que me deixou acima dos 90% de acertos. Português tem correspondido a 20 pontos dos 65 totais nos dois últimos TPS's, um bom desempenho pode ser decisivo na aprovação.

Ufa, demorou, mas terminei a série TPS. A partir do próximo texto voltamos a questões mais gerais.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

DICAS DE POLÍTICA INTERNACIONAL PARA O TPS

Estou de volta, caros amigos, depois de um silêncio compulsório causado pelo período de provas no IRBr. Felizmente, ou não, quem me conhece sabe que não duraria muito minha ausência dos debates. Vamos, então, ao que mais nos interessa, a prova de Politica Internacional no TPS.

Eu acredito que PI seja a disciplina mais difícil de se estudar para o TPS. O programa é extenso, tem muitos tópicos de relações bilaterais, muitas questões internacionais contemporâneas, teoria das relações internacionais e muitos pontos do programa coincidem com geografia e história até mesmo na bibliografia indicada.Cuidado meu caros, muito cuidado. O fato de o programa coincidir com outras disciplinas pouco significa. A abordagem de cada uma das disciplinas é muito diferente.

Nunca esqueça de duas premissas fundamentais: a prova é baseada na discussão dos INTERESSES BRASILEIROS e é elaborada pelo CESPE. Dito isso, vamos às dicas de leitura.

1- RELAÇÕES INTERNACIONAIS DO BRASIL-TEMAS E AGENDAS (Lessa e Altemani): não tenha dúvidas, e a nova bíblia da disciplina. Além de ser editado pela UNB, um dos organizadores é membro da banca. Absolutamente TODOS OS TEMAS estão discutidos ali. Todos os grandes nomes em PI no Brasil publicam artigos na obra. Para que vocês tenham uma ilustração do quão importante é a leitura dessa obra, apenas ela, entre TODA A BIBLIOGRAFIA, faz alguma menção do conceito de "grande oriente médio" (questão de geopolítca na prova de geografia do CACD 2007). Os 2 volumes foram editados depois do TPS e antes da terceira fase em 2007. São indispensáveis, fundamentais, obrigatórios.

2- THE GLOBALIZATION OF WORLD POLITICS(Org. por John Baisley): é, sem dúvida, um manual indispensável. Todos os tópicos indispensáveis em termos de política mundial ali estão contemplados, incluindo teoria. Não há substituto melhor para a ampla bibliografia de TRI indicada, mas que de pouco servirá para uma preparação mais objetiva e bem focada. Para os que não são formados em RI, o livro é um verdadeiro portal dimensional do conhecimento. A indicação do meu amigo Ney Canany foi preciosa quando PI foi inserida n TPS.

3- POLÍTICA INTERNACIONAL CONTEMPORÂNEA(Altemani): uma boa versão sintética da primeira indicação, ajuda muito, mas é insuficiente em si mesma.

A leitura regular do RELNET, dos principais jornais internacionais, do site da ONU, dos discursos do nosso ministro e do nosso presidente são também fundamentais. Mantenha-se informado e atento sobre os mínimos detalhes de todos os temas internacionais. A leitura da Revista de Política Externa também colabora para a compressão de diversos temas estratégicos.

Acho que com essas indicações é possível fazer um bom TPS em PI. Parece muito? Ninguém disse que seria fácil, disse?

PS: antes que eu esqueça, a prova de PI do concurso do TCU, disponível no site do CESPE, é uma excelente e segura indicação da tendência da banca que a elabora.

Agora sim, por hoje é só, pessoal!

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

DICAS PARA HISTÓRIA MUNDIAL NO TPS

História Mundial é uma matéria importante na primeira fase do CACD. No atual modelo do concurso, HM aparece somente no TPS como matéria específica, o que aumenta significativamente sua importância estratégica. Além de ser um suporte mais do que necessário para Política Internacional, a prova de HM pode contribuir para a compensação de algumas "cascas de banana" nas provas de português e inglês.

Quem me conhece sabe que defendo ferrenhamente a leitura das quatro Eras, de Hobsbawn, para o TPS. Sim, há pessoas que foram aprovadas no TPS sem nunca terem sequer passado perto de um exemplar das Eras. Tais aprovados, entretanto, certamente não tinham graves limitações em inglês e podiam se dar ao luxo de arriscar o erro em uma ou duas questões de HM ou, simplesmente, a sorte os ajudou. Infelizmente, tenho amigos que foram eliminados no TPS 2007 por discordarem da interpretação da resposta do gabarito oficial. E a interpretação coincide com a de Hobsbawn... Seria por acaso?

História é uma disciplina controversa, ninguém discorda disso. No TPS, entretanto, precisamos responder a uma prova que nos cobra o "certo ou errado". Para piorar a situação, a bibliografia é contraditória: muitos autores dizem exatamente o contrário de outros. É preciso, portanto, mais do que estudar para a prova, ESTUDAR A PROVA. Os concursos cujo TPS foi elaborado pelo CESPE, desde 2003/2, sistematicamente adotam as interpretações das Eras: textos motivadores, periodizações, interpretações dos processos... Tudo coincide com as Eras!

Acredito que não há na bibliografia de HM nenhuma outra obra de tanto fôlego a respeito dos principais temas históricos dos últimos 250 anos de história.Os principais fatos e processos ali estão debatidos, da política à cultura (cultura está no programa, fiquem atentos pra isso, algo me diz que vai ressurgir no próximo ano). A recomendação que faço é de ler cada uma das Eras duas vezes, se possivel. É muito importante ficar atento às interpretações dadas por Hobsbawn a muitos fatos (este ano a tomada do poder pelos fascistas italianos foi tema polêmico na prova, mas o gabarito está de acordo com Hobsbawn). Outras obras podem ser utilizadas subsidiariamente para a consoidação das cronologias e dos fatos, mas nunca esqueça que as interpretações são das Eras!

Se você não gostar da leitura ou discordar, que pena... he he he! Eu não gostei de muita coisa que li e discordei de muitas outras, mas o momento de discordar não é a prova. No concurso, o importante é ser aprovado.

Para além das quatro Eras... Vamos a recomendações de leitura complementar:

Sombra Saraiva-Relações Internacionais-Dois Séculos de História: tão indispensável quanto Hobsbawn (nunca esqueçam que o CESPE é da UnB);

Paulo Vizentini-História do Século XX, O Descompasso Entre as Nações, Da Gerra Fria à Crise: são livros úteis para uma boa revisão. Vizentini tem um poder de síntese louvável, sem passar nem perto da mediocridade;

Tulio Halperin Donghi- História da América Latina: é o segundo pior livro que li em toda bibliografia em termos de qualidade de escrita, mas a quantidade de informação é realmente incomparável. Para HAL eu considero indispensável.

Hobsbawn-Nações e Nacionalismo: dispensa apresentações. Desenvolve com profundidade uma parte importante das Eras a respeito da formação dos estados nacionais.


Há outras leituras que fiz, mas que não considero indipensáveis para um TPS seguro em HM. Espero que esta lista ajude a direcionar as leituras.

Por último, não esqueçam, muitos dos tópicos de HM coincidem com PI e muitas indicações de bibliografia do concurso fazem parte do programa de ambas as disciplinas. Muita atenção, meus caros, pois um bom estudo de HM pode garantir os décimos que vão eliminar seus concorrentes.

sábado, 8 de setembro de 2007

DICAS PARA A PROVA DE INGLÊS NO TPS

Inglês foi, desde o princípio, o obstáculo mais significativo durante o meu processo de preparação. Tive de investir muitas horas de estudo, alguns milhares de reais em aulas particulares e, acima de tudo, mais do que estudar para a prova, eu tive de ESTUDAR A PROVA.

É muito importante aprender a lidar com as provas de inglês do CESPE. Não importa qual seja o concurso, o candidato deve fazer todas as provas de inglês que estiverem disponíveis no site do CESPE, seja nível médio, seja nível superior.

Preposições são temas recorrentes das questões de múltipla escolha. Estude o máximo que puder, é algo que só pode ser estudado decorando a regência dos verbos.

É essencial praticar interpretação de textos com o modelo de questões de C/E. Obrigue seu professor a aprender e se especializar no estilo CESPE de prova. É fundamental o treino e a repetição.

Para adquirir vocabulário, leia os jornais on line em inglês com um dicionário eletrônico aberto para sanar as dúvidas. Se o candidato ler, por exemplo, uma reportagem do New York Times por dia durante três meses, o salto de qualidade do seu inglês será enorme. O importante é que seja feito com atenção e com a disposição de aprender.

Por fim, o uso de bons dicionários, o mais útil é o Oxford Collocations, e aulas com um bom professor particular fazem toda a diferença. Meu resultado no TPS só foi alto porque meu resultado em inglês foi acima do esperado (7,2 de 10 pontos possíveis).

Peço desculpas aos que acham as dicas óbvias, mas estão dirigidas aos que têm grande dificuldade com a língua inglesa.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

DICAS DE HISTÓRIA DO BRASIL PARA O TPS

Atendendo a pedidos, esta semana iniciarei uma série de comentários sobre as provas, matéria por matéria e fase por fase. Não tenho a menor pretensão de ser exaustivo nas minhas análises e indicações, muito menos acredito que sejam as únicas corretas. Não estou, de maneira nenhuma, publicando receitas prontas para a aprovação no concurso. O que pretendo é contribuir para que os interessados possam evitar erros recorrentes na condução do processo de preparação sem que precisem aprender com eles depois de perderem um ou dois anos de dedicação.

Começaremos hoje pela prova de história do Brasil no TPS.

O programa de HB é extenso, bem como a bibliografia indicada. É importante atentar para o fato de que boa parte da bibliografia de HB, principalmente os tópicos referentes à politica externa brasileira, coincidem com a bibliografia de política internacional. Não há como ler tudo, mas é possível otimizar o rendimento com estudo com algumas leituras imprescindíveis. Vamos a elas.

Amado Cervo e Clodoaldo Bueno, História da Política Exterior do Brasil: imprescindível. Deve ser lido quantas vezes forem necessárias e decorado nos fatos e nas interpretações. Não adianta nada contestar gabarito do CESPE discordando de Amado Cervo. Leia, decore, assimile, consolide. Não tem erro.

Bóris Fausto, História do Brasil: também é imprescindível. Ao contrário do História Concisa, este manual é o mais completo, didático e bem direcionado para o conhecimento necessário de HB. Apesar de fazer uma boa cobertura de todos os períodos de HB, o "domingão da faustão" é excelente para o período republicano, nem tanto para o império e a colônia. Deve ser lido quantas vezes forem necessárias, decorado e assimilado em todos os aspectos. Os tópicos de HB não referentes à PEB são baseados em Bóris Fausto, não vai adiantar teimar com a banca depois...

As duas primeiras obras citadas, se bem lidas e assimiladas, podem garantir um TPS seguro em HB. Entretanto, meus caros, como eu não sou o tipo que conta com a sorte, vou indicar umas leiturinhas complementares que podem ajudar consolidar um ou outro aspecto do programa que não tenha ficado claro na leitura das duas bíblias de HB no TPS. Vamos a elas:

Colônia
Charles Boxer, a Idade de Ouro do Brasil: incomparável, aprofunda aspectos fundamentais do período.

Caio Prado Júnior, Formação do Brasil Contenporâneo: nenhuma outra obra apresenta uma visão tão abragente dos temas que envolvem a colônia, embora não se restrinja a tal período.
Na dúvida, é melhor ler três vezes!

Império
Maria Yeda Linhares, História Geral do Brasil: incomparável na abrangência, detalhamento e didática na análise do período. Aborda diversos aspectos que passam batidos em Bóris Fausto.

História da Política Externa Brasileira
Paulo Vizentini, Relações Internacionais do Brasil-46/64 e A Política Exterior dos Governos Militares: sem dúvidas, esses livros contribuem significativamente para sanar muitas dúvidas sobre o período do pós-guerra. Para o TPS, são mais que suficientes.

Agora vamos as tópicos que não podem ser negligenciados no "decoreba" para um bom TPS:

-Revoltas Coloniais e economia da colônia;
-Período Joanino, processo de independência;
-Sistema de tratados do Primeiro Reinado;
-Revoltas na Regência;
-Política de Limites (em todos os períodos);
-Era Vargas (decorar tudo, ou tudo o que conseguir);
-Regimes militares.

A prova de HB do CESPE é bastante factual, o ideal é decorar as cronologias. Mesmo questões interpretativas podem exigir o conhecimento factual e/ou cronológico. A prova de 2007, para ficarmos num exemplo mais próximo, teve muitas questões do tipo. Se o candidato não soubesse que o tratado de 1851 foi com o Peru, não com a Bolívia, perderia uma questão... E muita que perdeu uma questão no TPS dançou...

OBS: há obras que não citei porque não considero imprescindíveis para o TPS e serão debatidas quando chegarmos na discussão sobre a terceira fase. ;-)

Por último, um alerta: não pense que somente porque um ou outro tópico não apareceu nas duas últimas provas ele não aparecerá na próxima. É melhor estar preparado para qualquer questão. Com a disputa pela vaga no TPS cada vez mais acirrada, é sempre melhor nivelar por cima.