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quarta-feira, 29 de maio de 2013

POR QUE ***NÃO*** SER DIPLOMATA ?

Após o post anterior do blog, comentei com o Professor Maurício, só por provocação, que um texto sobre as razões ERRADAS para querer ser diplomata deveria ser escrito. Sobrou para mim, para deixar de ser falastrão, a tarefa de parecer ranzinza – mas os melhores amigos são sempre aqueles que alertam, creio eu...

Dito isso, seguem comentários sobre os mantras que eventualmente ouvimos. Afinal, por que você quer ser diplomata?

* “É meu sonho de infância” – Que coisa, hein?  O meu era ser piloto de avião, mas descobri que precisaria saber muito mais matemática do que gostaria, e ser muito menos cego do que sou. Agora sério... sonhos de infância, embora acalentados docemente e parte da formação das nossas relações afetivas, nem sempre encontram uma realidade que corresponda às expectativas – especialmente àquelas criadas ao longo de décadas. Envelhecer, amadurecer, em qualquer idade, só é bom porque podemos nos dar o direito de repensar, de evoluir, de mudar. Não gaste meses, ou anos de sua vida, em um projeto criado por uma criança de oito anos de idade, sem revisá-lo e concluir sobre a permanência de sua validade.

* “Eu gosto de política externa” – Excelente! É mesmo um tema fascinante. Mas você pode alimentar esse interesse sendo um leitor assíduo de reportagens, artigos e livros sobre o tema, ou quiçá um pesquisador na área. Gostar de consumir intelectualmente determinado assunto e fazer dele seu ganha-pão são coisas completamente diferentes.

* “Ah, mas eu gosto de fazer política externa!” – Muito bem, agora a coisa muda de figura. Ainda assim, saiba que, como diplomata, a política externa que você “fará” irá se resumir, durante uns 80% da sua carreira, a cumprir instruções sobre uma pequena parcela de temas pontuais, imersos em uma enormidade de ações de política externa sobre as quais você terá nenhum controle e nível limitado de informação.  Claro que é muito recompensador ver a frase que você criou para os pontos de conversação do Ministro de Estado ser repetida em uma reunião de alto nível... Mas fique feliz, amigo, com seu(s) tijolinho(s) eventual(is), a menos que você chegue a ocupar, um dia, umas das altíssimas chefias da Casa.

* “Eu gosto de viajar, conhecer novas culturas” – É bom, né? Experimente ter de explicar (ou pior, entender) detalhes de legislação trabalhista de um país confuso no qual você não fala a língua local. Ou explicar para o mecânico, que nem a língua local dele fala, detalhes do “barulhinho estranho” que você  está ouvindo no seu carro. Viver em outro país é uma experiência de aprendizado intenso e profundo, que provavelmente envolverá grandes doses de solidão (mesmo a dois) e diversos níveis de ruído na comunicação. Além disso, viajar a trabalho pode ser uma experiência extremamente frustrante, tendo em vista as agendas em geral muito corridas. Conhecer Londres, todo o tempo de terno, e apenas de dentro de um táxi, não tem muita graça, acreditem. E isso se você der a sorte de ser Londres, porque provavelmente as viagens serão mais criativas e menos esperadas no que diz respeito a destinos. Você não saberá onde a carreira o levará daqui a quatro ou cinco anos. A menos que se tenha essa consciência, que seu flerte com o incerto seja perene, recomendo um concurso para o Legislativo ou para o Judiciário. “Conheça novas culturas” durante suas férias bem remuneradas.

* “Eu quero por conta do salário” – Boa! Mas há concursos mais fáceis que pagam mais, e sem o impacto familiar e afetivo que a vida de diplomata acarreta. Claro que o salário é bom, mas ninguém fica monetariamente rico por ser diplomata. Sua vida, em especial para os familiares e amigos menos avisados, ganhará um status (aliás, outro motivo besta para se tornar diplomata) diferenciado. Você andará engravatado por aí, poderá vez ou outra ter contato com Altas Autoridades, morar em casas bastante dignas – que não são suas – e frequentar recepções de altíssimo nível (principalmente após um exaustivo dia de trabalho, sem a menor vontade de sorrir, obter informações e aumentar o soft-power do Brasil).  Mas, no fundo, somos uma espécie de anti-Lady Katy:  “gramur eu tenho, só me falta-me o dinheiro...”

                Um diplomata é um burocrata internacional, senhor@s. Os tempos da diplomacia costumam ser bastante lentos, e o resultado do trabalho nem sempre imediato, satisfatório ou reconhecido. Relatórios constantes sobre assuntos de diferentes níveis de interesse pessoal terão de ser feitos, providências para as quais você não tem a menor ideia de como proceder serão demandadas. Seus horários dificilmente permanecerão puramente seus horários, e se você tiver o mínimo interesse em cumprir bem suas funções, terá de aprender a estudar assuntos dos quais gosta ou não, a todo tempo.


                Portanto, pense bem sobre seu futuro. Caso você insista na ideia e tenha ficado ainda mais interessado em se tornar diplomata, mesmo com meu esforço anti-idealista, rasgue os punhos de renda e seja mais do que bem-vindo ao Serviço Exterior Brasileiro.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

POR QUE SER DIPLOMATA?


          O título deste texto nada mais é do que a pergunta que todos nos fazemos, ou fizemos, em algum estágio da preparação para o CACD. Procurei elaborar a minha resposta, depois de seis anos e uma remoção para o exterior. Espero que contribua para as decisões de todos os leitores.

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A carreira de diplomata é, sem dúvida, uma das mais interessantes e desafiadoras carreiras do serviço público. A possibilidade de servir ao País e de representá-lo no exterior, a variedade de temas, de lugares e de pessoas, e a boa remuneração são os grandes atrativos do trabalho. Por essas razões, o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata é extremamente concorrido.
Na carreira, é possível trabalhar com temas das mais diversas naturezas – dos contenciosos comercias na OMC a temas administrativos, dos direitos humanos a negociações de acordos de comércio. O tratamento de temas tão diversos exige dos diplomatas a compreensão abrangente e o bom entendimento das implicações políticas. O diplomata deve, portanto, estar preparado para conhecer as mais diversas áreas do conhecimento para melhor cumprir seu papel na formulação e na execução da política externa brasileira.
O diplomata tem o mundo inteiro como opção para trabalhar e para viver. Mais do que conhecer outras culturas, é possível, e necessário para o trabalho, integrar-se às culturas locais. Seja na América do Norte, seja na Ásia, seja na América do Sul, na África ou na Oceania, o diplomata tem as mais diversas experiências de vida e de crescimento pessoal associadas ao trabalho. É possível contribuir junto à Missão de paz no Haiti, participar de negociações no MERCOSUL ou optar por representar o Brasil na África.
O trabalho do diplomata pode ser muito gratificante. Representar o Brasil tem grande significado, especialmente em função do crescimento da projeção internacional do Brasil e dos novos papéis a serem desempenhados pelo nosso reconhecidamente competente corpo diplomático na nova ordem internacional. A grandeza do Brasil resulta em grandes oportunidades para contribuir com a construção de um futuro mais próspero e pacífico.
            O caminho para tornar-se diplomata é difícil, mas todos os obstáculos são superáveis. O mais importante é ter consciência de que se trata de uma carreira que vale a pena o sacrifício necessário para ingressar e que nos traz muito mais compensações do que decepções.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

OS MITOS DE IMPOSSIBILIDADE

Entre os candidatos ao CACD, são muito comuns as crenças quase irracionais nas mais diversas impossibilidades: a de ler muito, a de trabalhar e estudar para a prova, a de superar limitações individuais em diferentes disciplinas, a de conseguir dominar o programa do concurso. Essas impossibilidades tornam-se reais somente e unicamente pelo fato de que as pessoas acreditam nelas. Como regra geral, aqueles que professam as impossibilidades não tentaram provar que são impossibilidades reais.

Em mais de meia década treinando candidatos, fui convencido de que não existem impossibilidades reais. Não faltam exemplos de candidatos que, quando iniciaram o programa de "coaching", eram céticos tanto quanto à sua capacidade de leitura quanto ao resultado das leituras para o seu desempenho e, alguns meses depois, estavam surpresos com a quantidade de livros concluídos e com a profundidade do conhecimento adquirido. Parecia impossível, até que uma pessoa como qualquer outra apenas tentou e conseguiu realizar a tarefa.

A grande armadilha da crença nos mitos de impossibilidade é a de desorientar o processo de preparação em nome de suposto pragmatismo. Ao optar por estudar somente "aquilo que é importante", ao priorizar resumos e ao fazer uso de exercícios como meio de aquisição de conhecimento, não de revisão do conhecimento, o candidato claramente aumenta, significativamente, o risco de prejudicar seu desempenho.

Afinal de contas, quem define o que é importante: o candidato, o professor ou a banca corretora? Há alguma forma de adivinhar aquilo que a banca corretora vai considerar importante na prova? Sempre é possível interpretar os indícios, mas essa interpretação nunca é definitiva. Nunca se sabe aquilo que poderá ser cobrado. Se optar pela impossibilidade de ler muito, o candidato estará optando por estudar menos e, consequentemente, aumenta a possibilidade de ter baixo desempenho.

Trabalhar e estudar para o CACD é possível, e eu não sou o único exemplo. Dezenas de candidatos foram aprovados nessas condições nos últimos anos. Basta administrar o tempo e ter disciplina. Haverá quem afirme que não consegue se disciplinar, mas qualquer pessoa é capaz de se disciplinar, muda apenas o tamanho da sacrifício.

Há também a crença de que se pode abandonar o estudo de uma disciplina baseado na ideia de que não haverá ganho real em estudá-la, seja porque o candidato tem dificuldades, seja porque acredita que sabe o suficiente. Sempre há ganho real ao estudar qualquer disciplina, sempre há conhecimento a ser adquirido, e sempre há perda real tanto de conhecimento quanto de preciosos pontos na prova, quando se opta por não estudar qualquer disciplina que seja. A crença na impossibilidade de melhorar torna maior a possibilidade de não alcançar o objetivo.

O primeiro passo para acabar com os mitos de impossibilidade é não acreditar neles. O estudo intenso e esforçado, a leitura contínua e a dedicação sempre dão bons resultados e sempre melhoram o desempenho. As fórmulas milagrosas não se sustentam a médio prazo, mas a intensidade na preparação de base se sustenta a longo prazo.

Se existe um milagre, está em você mesmo. Antes de mais nada, acredite que possível e não faça de você mesmo o principal obstáculo para o êxito no CACD.


segunda-feira, 26 de março de 2012

COMENTÁRIO SOBRE A QUESTÃO 15 DO TPS- MERCOSUL

Caros, tomo a liberdade de comentar os itens referentes ao MERCOSUL, uma vez que trabalhei diretamente com o tema por alguns anos.

1- O Parlamento do MERCOSUL permite a formação de grupos políticos integrados por, pelo menos, 10% dos parlamentares se todos se originarem de um mesmo Estado-membro, ou composto por, pelo menos, cinco parlamentares, caso seus membros sejam oriundos de mais de um Estado-membro"

CERTO. Trata-se de mera reprodução de texto so sítio do PARLASUL, disponível em:
http://www.parlamentodelmercosur.org/innovaportal/v/168/1/secretaria/grupos_politicos.html

2- "O Programa MERCOSUL Social e Participativo, instituído, em 2008, por decreto do presidente Lula, assegura a livre circulação de trabalhadores e o exercício de suas atividades laborais nos Estados-membros, sem necessidade de vistos de trabalho."

ERRADO- Muito embora a primeira parte do ítem esteja correta, a iniciativa visa a promover o debate sobre integração junto à sociedade civil brasileira. Não existe nenhuam relação com livre circulação de mão de obra.

3- A Ata de Buenos Aires, assinada por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai em 1990, fixou, para 1994, a formação de um mercado comum entre os quatro países"

ERRADO- A Ata de Buenos Aires foi assinada somente por Brasil e Argentina, além de ser pré-MERCOSUL.

4- "São de responsabilidade do Grupo Mercado Comum, órgão superior do MERCOSUL, a direção do processo de integração dos Estados-membros e a tomada de decisões políticas."

ERRADO: o órgão superior do MERCOSUL é o Conselho do Mercado Comum (CMC).

COMENTÁRIOS SOBRE O TPS


Ontem foi o primeiro grande dia do CACD 2012. Apenas cerca de 4% do mais de 6000 inscritos ultrapassarão esta etapa. Espero que todos os leitores deste blog, meus alunos e todos os demais candidatos tenham tido boa sorte na execução da prova.

Comentarei a prova por disciplina, depois apresentarei minha impressão geral. Gostaria de salientar que são apenas as minhas impressões de professor e orientador de candidatos, e não devem ser tomadas como afirmações absolutas. Após o gabarito e após o desenvolvimento do ranking, poderei mudar de opinião, ou não, como diria o glorioso Caetano.

A prova de português seguiu o padrão do CACD 2011, com muitas questões de interpretação e com peso relativo menor de sintaxe. Confirmou-se a tendência de mudança para aqueles que preferiam acreditar que a prova de 2011 havia sido um ponto fora da curva. Muito embora tenha sido uma prova trabalhosa, os candidatos que compreenderam a tendência e se prepararam adequadamente devem ter bom desempenho.

A prova de política internacional foi bastante coerente. As 11 questões foram abrangentes e trataram de atualidades, sempre concentradas naquilo de mais relevante para a política externa brasileira. MERCOSUL, UNASUL, BRICS, IBAS, BASIC, oriente médio e primavera árabe, comércio exterior, África, questão nuclear, teoria das relações internacionais. O que faltou? Nada, porque meio ambiente caiu em geografia! Por outro lado, havia itens de alto grau de dificuldade, cuja solução dependia do conhecimento de detalhes e de especificidades com relação aos temas. Esses detalhes serão a armadilha de muitos candidatos desprevenidos.

Geografia foi uma prova limitada pela pequena extensão, apenas quatro questões. Esse fator limita demais a abrangência da prova. Ainda assim, foi possível surpreender com questões que os candidatos esperavam em outras provas, como a de meio ambiente, esperada em PI, e a de limites e fronteiras, sempre esperada na prova de história do Brasil.

Inglês foi uma prova bem elaborada, acredito que bastante equilibrada. Sempre se deve considerar que o grau de dificuldade da prova está diretamente relacionado ao nível de cada candidato na língua, portanto não se podem fazer afirmações absolutas sobre esta prova.

A prova de direito teve grande ênfase em direito interno, o que alguns candidatos consideram surpreendente. Eu diria que não foi tão surpreendente assim, porque o mesmo ocorreu em concurso recente, mais especificamente em 2009. O grande mérito e, ao mesmo tempo, o grande problema de uma prova assim é que uma prova com esse estilo testa a ênfase dada pelos candidatos em relação a cada ponto do programa. Por isso afirmo repetidamente que se deve estar preparado pra tudo.

Economia confirmou a tendência recente de "desmatematização da prova". Mais teoria, menos matemática, mais raciocínio econômico, menos cálculo.  Para uma prova de "noções", como ainda é definida, estava bastante bem elaborada.

História do Brasil teve pouca ênfase em HPEB, o que não foi surpreendente. Há pelo menos uma questão controversa, mas deixemos esse debate para os candidatos e para os recursos. De forma geral, foi uma prova bem elaborada.

História mundial pareceu a mim, e a todos os candidatos com quem conversei uma prova mais equilibrada do que a de 2011. Acredito que se deva ter atenção com a sensação de "falsa facilidade" desta prova, uma que é extensa, e muitas armadilhas esperam os candidatos em detalhes que são ignorados ou desconhecidos. Muito embora a prova estivesse mais equilibrada, acredito que deverá ser uma das responsáveis pela diminuição da média geral, juntamente com a prova de português.

Minha avaliação geral da prova pode ser sintetizada nos seguintes pontos:

1- acredito que deve ser mantido o padrão de desempenho do CACD 2011.  Não esqueçamos que a prova, pela primeira vez, repetiu o número de questões por disciplina;
2- O grande número de questões de múltipla escolha deve ser o principal fator de contenção a nota de corte. Mais do que pontos perdidos, são os pontos não alcançados nessas questões que diminuem a média geral;
3- A nota de corte não deve ser muito mais elevada do que a nota do 200o colocado em 2011 (42,2), a não ser que haja grande número de anulações de questões. Se houver muitas anulações, sobe a média geral e sobe a nota de corte.

Espero ter contribuído para o debate. Nos próximos dias, voltarei a discutir esse tema com base no gabarito provisório e no desenvolvimento do ranking. Desejo boa sorte a todos e espero encontrá-los no curso de segunda fase!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

ENTREVISTA SOBRE O CACD

Aos que se interessarem, publico link de entrevista a blog parceiro da Folha Dirigida a respeito do CACD 2012:

http://www.jsconcursos.com/2012/02/conheca-carreira-e-veja-dicas-de.html


Espero que o conteúdo seja útil.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

COACHING DE REVISÃO PARA O CACD

Caros candidatos e leitores,

A partir de 23 de fevereiro, ministrarei a etapa de revisão do coaching para o CACD. Para aqueles que se interessarem, publico a informações:

Matrículas abertas para o Coaching de Revisão - Curso Atlas.

Início das aulas: 23 de fevereiro

Estrutura pedagógica:
...
Encontros semanais com os orientandos no livemeeting. Os encontros serão divididos em grupos e terão a duração de 30 minutos. O programa será baseado em tarefas semanais de leitura e de organização do estudo;

a) haverá cronograma de leitura para 4 semanas;

b) haverá um simulado no formato TPS por semana;

c) Em caso de “crise de preparação”, poderá haver atendimento individual.

Corpo docente: Prof. Maurício Costa

carga horária total: 4 encontros de 30 minutos; 4 simulados no formato TPS.

Matrículas pelo link: http://www.inscricoesatlas.com.br/

valores: R$ 1000,00 para pagamento via pagseguro. Depósito direto, a vista, será concedido desconto de 15%.

Maiores informações: secretariabh@cursoatlas.com e 31 3568-0555.